A atribuição de Escola de Samba
aqueles grupos de batuque que originaram os primeiros blocos, é
conhecida do século XXI, mas foi adotado nos fins da década
de vinte (sec.XX), época em que ser sambista significava ser arruaceiro,
fora das regras - o bloco Deixa Falar passou a fazer ensaios em
frente à Escola Normal, no bairro de Estácio, no Rio, e ,
inconformado com essa descriminação, o compositor Ismael
Silva, criou uma definição:
"Deixa falar, nós também somos mestres. Somos uma
escola de samba",
batizando definitivamente a associação carnavalesca.
No seu desenvolvimento as escolas adotaram os
enredos como componete central da sua estrutura de dança dramática,
como denominou Mário de Andrade as manifestações
coreográficas populares brasileiras.
O enredo foi mais uma gerança dos Ranchos - inaugurado no carnaval
carioca com o Ameno de Rosedá em 1908, apresentando o enredo:
Corte
Egipciana.
O primeiro enredo de escola de samba foi Sua Majestade o Samba,
da autoria de Antonio da Silva Caetano, dando ao desfile da Portela
a introdução da modalidade que marcaria o início de
uma nova fase na vida das escolas de samba, em 1931, com o samba do compositor
Ventura.
Da adoção dos enredos pelas escolas de samba, surge o
samba enredo; antes o samba que servia para a escola desfilar era composto
uma primeira parte, a segunda era criada de improviso.
Com a determinação do Governo, em 1935, as escolas passaram
a usar enredos tirados da História do Brasil; de início um
problema artístico que esbarrou em inúmeras dificuldades,
que foram desde a adequação melódica à informação
histórica, até à própria falta de conhecimento
histórico por parte dos autores e componentes, o que, constitui
em sí um mérito didático.
O samba enredo estabeleceu-se, finalmente, na Império Serrano,
com o samba Tiradentes, até hoje considerado um dos
mais belos de todos os tempos, autoria de Mano Décio da Viola,
Cumprido e Estasnislau Silva em 1949, contando as passagens da Inconfidência
Mineira.
Blocos e cordões antecederam as escolas
de samba. A primeira delas, fundada em 1928 no bairro do Estácio,
chamava-se Deixa Falar.
O primeiro desfile, ainda extra-oficial, ocorreu em 1932; o primeiro
desfile oficial data de 1935 e ocorreu na Praça Onze de Junho,
ponto tradicional de concentração de blocos e cordões.
Quando a pranteada Praça Onze, berço do
samba, deu lugar à abertura da Av. Presidente Vargas, o local
dos desfiles foi transferido sucessivas vezes; da antiga passarela, as
escolas do primeiro grupo, passaram a desfilar na Avenida Rio Branco,
entre Almirante Barroso e Santa Luzia. Daí, voltaram outra
vez para a Avenida Presidente Vargas, ao longo de quase um quilômetro,
entre a igreja da Candelária e a Avenida Passos, em
1963 foram construídas as primeiras arquibancadas, com lugares vendidos
ao público.
Foram, o maior espaço e a necessidade
de se ocupar esse espaço, os grandes responsáveis pela
série de inovações apresentadas pelas escolas no aspecto
visual, coreográfico e até estrutural do desfile. Já
na avenida Rio Branco, Arlindo Rodrigues e Fernando Pamplona, tinham
revolucionado totalmente o estilo tradicional das fantasias e alegorias
do Acadêmicos do Salgueiro, com "Quilombo dos Palmares", com
esculturas, máscaras, adereços, vestimentas, etc., projetadas
agora em dimensões espetaculares, que vieram enriquecer o universo
plástico do desfile, aumentando o seu poder alegórico, levando
ao grande desenvolvimento das fumções do carnavalesco, como
verificou-se a seguir.
(fantasias e alegorias, são componentes estéticos agregados
aos festejos na Veneza renascentista)
Em 1984, a criação da Passarela
do Samba proporcionou um lugar definitivo para os desfiles, onde, a
exemplo das comissões de frente, outros setores passaram a desenvolver-se,
neste surprendente e contínuo aprimoramento do batuque que tornou-se
o
maior espetáculo do mundo.
Atualmente, o desfile constitui bem valioso e muito disputado: além
dos ingressos, também são vendidos os direitos de transmissão
por rádio e televisão, discos etc..
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